sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Perfeccionismo

Quando falamos em perfeccionismo, estamos dizendo respeito a nada mais que alguns padrões comportamentais que uma pessoa apresenta, os quais classificamos como “perfeccionistas”. Geralmente, tratam-se de respostas controladas por um modelo considerado ideal, que também é reforçado socialmente.

Estudos da Psicologia da Dança e Psicologia do Esporte (Stoeber, 2014) mostram que existem basicamente dois padrões gerais de comportamentos categorizados como perfeccionistas. ⠀


O primeiro está associado aos chamados "esforços perfeccionistas", geralmente manifestados por bailarinos e atletas saudáveis que orientam seu comportamento ao reconhecimento de seus próprios esforços e à superação de seu próprio desempenho, do que a necessariamente vencer ou "ser o melhor". Este padrão comportamental normalmente é acompanhado de maior satisfação e caracteriza-se pela maior presença de respostas de tolerância, resiliência e persistência.


Já o segundo padrão está associado às "preocupações perfeccionistas", manifestadas por bailarinos e atletas que orientam seu comportamento a ganhar sempre ou atingir um modelo de perfeição idealizado ou irrealístico. Tal padrão, por sua vez, está mais ligado à insatisfação, auto sabotagem e desistência na dança, bem como, pode estimular comportamentos obsessivos em relação à dança, além de outros sintomas. ⠀


Aqui serão propostas algumas estratégias psicológicas/comportamentais para lidar de forma mais saudável e eficaz com o perfeccionismo. Afinal, pode ser um bom aliado, desde que orientado da forma adequada.


1 - Evite ao máximo julgar-se como ruim, ou usar outros adjetivos generalistas e depreciativos, que não sinalizam o que precisa ser modificado e te desestimulam. Ao invés disso, identifique RESPOSTAS ESPECÍFICAS que poderiam ser refinadas e DESCREVA essas respostas. É recomendável ter um caderninho para você anotar essas correções, após suas observações em aulas, treinos ou vídeos. Você também pode contar com o auxílio de um professor nesse processo.


2 - Valorize também os seus PONTOS POSITIVOS! E anote-os, se for preciso. Reconheça as suas evoluções após os treinos, elogie-se, presenteie-se.


3 - É muito positivo ter modelos e inspirações na dança, porém, é muito importante reconhecer que, como todo e qualquer repertório comportamental, aquele que você admira também passou por um processo e uma história para ser construído. Portanto, DIVIDA SEUS SONHOS EM METAS pequenas e realísticas. Por exemplo, comece treinando um passo específico da bailarina que você admira ou dançando apenas o primeiro minuto daquela música de dez minutos que deseja dançar. Depois que alcançar a meta, parta para a próxima (que exigirá um repertório maior), e assim por diante.


4 - COMPARE-SE SOMENTE COM VOCÊ MESMO. Lembre-se que você possui uma história única e ninguém é como você. A sua beleza está justamente na sua imperfeição e em como você lida com ela.


5 - TREINE! Nada melhor do que o treino para refinar as suas respostas e mostrar que tudo é possível, mas é necessário um caminho a se percorrer.


Espero que essas estratégias possam te auxiliar. Estamos juntos nesse processo de autoaceitação, paciência e superação!


Referências:

Stoeber, J. (2014). Perfectionism in sport and dance: A double-edged sword. International Journal of Sport Psychology, 45(4), 385-394.


Fonte: Giovanna Faraash

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