segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Fragmentados | Neal Shusterman


Em uma sociedade em que os jovens rejeitados são destinados a terem seus corpos reduzidos a pedaços, três fugitivos lutam contra o sistema que os fragmentaria.
Unidos pelo acaso e pelo desespero, esses improváveis companheiros fazem uma alucinante viagem pelo país, conscientes de que suas vidas estão em jogo. Se conseguirem sobreviver até completarem 18 anos, estarão salvos. No entanto, quando cada parte de seus corpos, desde as mãos até o coração, é caçada por um mundo ensandecido, 18 anos parece muito, muito longe.
O vencedor do Boston Globe-Horn Book Award Neal Shusterman desafia as ideias dos leitores sobre a vida: não apenas sobre onde ela começa e termina, mas sobre o que realmente significa estar vivo.


Anos depois da Segunda Guerra Civil dos Estados Unidos, também conhecida como Guerra Heartland, que dividiu o país em dois grupos: pró-vida e pró-escolha. Depois de várias mortes, incluindo a de cirurgiões que eram a favor do aborto, e de mulheres engravidando apenas para vender o tecido fetal, os dois lados resolveram lutar e, só então a Lei da Vida surgiu. O aborto foi aprovado, mas apenas entre os 13 e 18 anos. 
Como assim?
Basicamente, a família cria o filho e, se entre os 13 e 18 anos os pais dizem que nunca quiseram ter o filho ou simplesmente decidem que ele é um problema, eles assinam uma ordem que permite que o filho seja "fragmentado". Significa ter seu corpo dividido em partes que serão destinados a outras pessoas que precisam deles para sobreviver. 
Mas, a questão é: seu cérebro, sangue, seus membros, tecidos e seus órgãos estarão divididos por aí, porém "vivos" em outras pessoas. Isso significa ou não a sua morte?

Connor, o primeiro personagem apresentado na história, tem dezesseis anos e pode não ser o melhor filho do mundo, mas também não se considera uma completa decepção, mesmo com todas os problemas e brigas em que se envolve. 
Pelo menos era isso que ele achava. Num belo dia, ele descobre que seus pais assinaram sua ordem de fragmentação e, em pouco tempo, ele será encaminhado para o Campo de Colheita, e seus pais nem se deram o trabalho de lhe contar. 
Ele então resolve fugir e lutar por sua sobrevivência, mesmo que ele não tenha ideia de onde deve ir ou o que deve fazer.

Já Risa tem quinze anos, é uma tutelada da Casa Estatal e, apesar das notas medianas e do talento como pianista, o Estado não acha que ela fará grande diferença e resolve fragmentá-la. Mas Risa não está disposta a ser fragmentada. Ela não tem muito tempo para pensar no que irá fazer, mas sabe que vai conseguir fugir.

E Lev não vê a fragmentação da mesma forma. Na verdade, ele não se considera um fragmentário. Os fragmentários estão indo para a fragmentação, pois são tão problemáticos que seus pais assinam a ordem sem pensar duas vezes, torcendo para se livrarem logo dele. 
Mas para ele, ele é como um "dízimo", e está oferecendo sua vida a Deus. Com treze anos, é o décimo filho de seus pais que, por serem religiosos, dão 10% de tudo o que tem para a igreja, e isso também inclui os filhos.

E então, as vidas desses três jovens são misturadas.

O livro traz questões muito debatidas pela sociedade atualmente. A questão da doação de órgãos, por exemplo. As doações cresceram muito nos últimos anos, mas quantas pessoas passam anos na fila para receberem um órgão? 
A questão do aborto e de crianças abandonadas, que crescem buscando respostas sobre seus pais biológicos. 
A história se mostra muito possível e verdadeira. 

No livro, o governo quer fazer a fragmentação parecer a solução ideal para estes problemas, e existe a venda de órgãos e de todas as partes do corpo da pessoa fragmentada. Nem médicos existem mais, apenas cirurgiões, afinal, porque você quer tratar algo se pode substituir? 
Eles também avaliam as partes do corpo da pessoa segundo suas habilidades e gostos para, quando forem vendê-las, o comprador possa escolher. Por exemplo: você precisa de uma mão nova. Você prefere uma mão de uma pessoa comum, qualquer, ou uma mão de um lutador, um músico, daí você escolhe qualquer uma dessas. Isso se tiver dinheiro, claro.

A escrita de Neal Shusterman é rápida e o ritmo é mantido do início ao fim. A narrativa é em terceira pessoa e temos uma visão ampla de tudo que está acontecendo na história.
Fragmentados foi publicado originalmente em 2007, e é seguido de Unwholly (Incompleto, em tradução livre), Unsouled (Desalmado), e Undivided (Indivisível), publicados em 2012, 2013 e 2014 respectivamente.
Neal Shusterman criou uma história fascinante que consegue mostrar desde a bondade até a crueldade humana de maneira real. 

Os direitos da história foram vendidos para a Constantin Films e o livro terá uma adaptação para o cinema! O roteiro está sendo preparado e depois começarão com a produção, testes de elenco e etc.

Assista a seguir um vídeo que se tornou um trailer do livro. É de arrepiar.


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Até a próxima!